Memórias Partilhadas dos Maiorais

Este é o espaço dedicado a celebrar aqueles que são a fundação das nossas famílias e da nossa identidade: os nossos Maiorais.
Mais do que um arquivo, esta página é um movimento para combater o esquecimento e a perda acelerada do nosso patrimónioSabemos que cada um dos Maiorais carrega consigo rituais, canções, receitas e vivências que não podem desaparecer com o tempo. É aqui que a sabedoria acumulada se transforma em legado.

Como Particpar?
Não deixe que as histórias fiquem guardadas apenas no silêncio da memória. Queremos ouvir a voz de quem viveu, mas também o olhar de quem admira.
Partilhe uma História: Aquele conto que ouviu na infância ou uma peripécia de vida inspiradora.
Envie uma Fotografia: Um registo que ilustre a herança e o orgulho local. 
Preserve um Saber: Recorda-se de uma receita antiga ou de um ditado especial? Registe-o aqui.

“Ninguém morre enquanto a sua história for contada.”

Tradição de Campinos no Ribatejo: Três Gerações de Identidade e Cultura

Na freguesia da Barrosa, concelho de Benavente, nasceu a 10 de abril de 1905 José Cipriano, campino cuja vida se confunde com a história rural do Ribatejo. Ao longo da sua vida, serviu importantes casas agrícolas da região, nomeadamente as de José Anastácio dos Santos e Vasco Isidoro dos Santos, em atividade entre as décadas de 1930 e 1950.

O fim destas casas agrícolas marcou também o declínio de uma forma de vida: a mecanização da agricultura veio substituir o trabalho animal por tratores e máquinas pesadas, transformando profundamente as lezírias e os campos ribatejanos.

Desta linhagem faz também parte Manuel Machacaz, sogro de José Cipriano, que desempenhou funções como maioral de vacas na casa agrícola de António Marques, igualmente sediada em Benavente, embora não exista registo fotográfico do seu percurso.

A tradição prosseguiu com Bernardina Semeano, filha desta herança cultural, que na sua infância trabalhou como tratadora de garraios na casa agrícola de Vasco Isidoro dos Santos. Hoje, com 93 anos, representa um testemunho vivo de um modo de vida profundamente ligado ao campo e ao gado bravo.

A arte de campinar permanece, assim, como motivo de orgulho ao longo de três gerações: da mãe, à geração seguinte, e ao bisneto, perpetuando uma identidade familiar enraizada na cultura ribatejana.

Destaca-se ainda Daniel Seabra, natural de Benavente, que deu continuidade a esta tradição no início do século XXI. Trabalhou como tratador de gado bravo, na amansia de cavalos e no maneio de gado e cabrestos, em diversas ganadarias da região. Paralelamente, destacou-se como forcado entre 2003 e 2012, integrando vários grupos, onde desempenhou funções como forcado de caras, segunda ajuda e rabejador em pegas de recurso.

Este percurso familiar reflete não apenas uma profissão, mas uma herança cultural profundamente ligada à identidade do Ribatejo — onde o homem, o cavalo e o touro formam um elo intemporal de tradição, coragem e dedicação. 

Maria Madalena Recatia.

Os Últimos dos Maiorais | Por Teresa Silva

O Marco enviou-nos esta fotografia acompanhada de uma mensagem muito simples:

“Este era o meu avô. Não tinha tanto a tradição de campino, mas vivemos a tradição de tudo no campo.
Não me arrependo de ter vivido esta fase da minha vida.”
E é também isto que queremos preservar com Os Últimos dos Maiorais.
Nem todas as histórias são de maiorais ou de campinos.

Mas muitas famílias do Ribatejo cresceram ligadas à terra, aos animais, às madrugadas no campo e à vida que se fazia longe das pressas de hoje. E ao respeito pelos Maiorais, guardiões de uma lezíria que nos pertence.
Essas memórias também fazem parte da nossa identidade.

Obrigado, Marco, por partilhar connosco um pedaço da sua história.